Ontem, na Câmara de Vereadores de Petrolina, a classe artística pediu tribuna para falar sobre a revitalização do Conselho Municipal de Cultura e do Fundo Municipal de Cultura. Infelizmente o que foi divulgado na imprensa foi o destempero da vereadora Maria Helena, que reivindicou mais organização da câmara, alegando que não pôde falar na tribuna por falta de tempo, pois a discussão sobre cultura entre os vereadores e o convidado, Antonio Veronaldo (presidente da ARTEDAP) se alongou mais que o previsto. A reivindicação é justa, porém a forma foi desrespeitosa aos convidados e aos colegas vereadores, pois este era assunto a se tratar internamente visto que as pessoas que estavam ali para falar sobre cultura desconheciam qualquer regimento da câmara. Conseqüentemente o assunto que repercutiu na imprensa não foi a pauta de cultura discutida, fala-se somente a sobre a confusão gerada por Maria Helena, uma exaltação de animo constrangedora.
Segue abaixo o comentário que fiz no blog de Carlos Brito:
O fato ocorrido com Maria Helena ontem na câmara parece ter ganhado mais relevância do que o assunto em pauta discutido na Câmara, Cultura. È triste que esse assunto, tão importante, tenha sido abafado pela exaltação da vereadora. Por isso venho lembrar: uma das pautas de ontem na câmara de vereadores foi cultura e o presidente da ARTEDAP (Associação de Artista e Técnicos de Teatro e Dança de Petrolina), Antonio Veronaldo discursou sobre a importância da consolidação de políticas públicas para cultura em Petrolina como: a revitalização do Conselho Municipal de Cultura e um Fundo de Cultura destinado a projetos de artistas do município. Há uma tendência no âmbito nacional e internacional em reconhecer o papel da cultura no desenvolvimento humano, social e econômico de uma nação. Falando em cultura podemos falar em segurança pública preventiva, pois ela diminui consideravelmente os índices de violência; podemos falar em educação, pois ela é uma difusora de saberes; podemos falar em saúde, pois ela transmite informações e muda hábitos além de aumentar a auto-estima; falando em cultura podemos falar em economia, pois gera emprego e renda diretos e indiretos na cidade, implicando inclusive em tributos e impostos.
Enquanto a sociedade tratar a cultura como souvenir ou capricho de alguns, o desenvolvimento humano ficará sempre em segundo plano nesta cidade. Peço o compromisso da imprensa na difusão dessas idéias, pois essa luta não se restringe a uma luta de classe, estamos lutando justamente para que secretaria de cultura (ou fundação) não sirva como balcão de atendimento a artista, onde se dá preferência aos amigos ou se dá uma “ajuda” aos demais. Estamos lutando para que a cultura cumpra seu papel político na sociedade, para os interesses da sociedade. Como conseqüência das políticas públicas, teremos trabalhos para os artistas e profissionalização do setor como forma de garantir a qualidade dos serviços prestados a comunidade. Ontem, na câmara, todos os vereadores foram solidários a causa e o prefeito também tem demonstrado sensibilidade sobre o assunto e esperamos que a oportunidade de firmar os compromissos do poder público com a cultura aconteça nesta gestão o mais rápido possível. Quando a cultura sair do discurso político para a ação política Petrolina ficará entre as grandes cidades que são reconhecidas pela valorização de seu povo.